sexta-feira, 10 de junho de 2016

UTILIDADE PÚBLICA !



Canadá inventa armadilha barata e não-tóxica contra 

o mosquito ‘Aedes aegypti’

As armadilhas são relativamente fáceis de fazer, e há uma oferta quase inesgotável de matéria-prima (estima-se que 1,5 bilhão de pneus sejam descartados no mundo por ano)


Em uma inovação que pode ter amplas implicações para países tropicais, pesquisadores canadenses desenvolveram um meio barato, eficaz e não-tóxico de reduzir as populações de mosquitos transmissores de doenças: usando um objeto comum e que, ironicamente, os insetos adoram usar para reprodução – pneus velhos.
“Estamos transformando uma arma que os mosquitos usam contra nós – pneus velhos – contra eles”, diz Gerardo Ulibarri, professor de química medicinal e ecossaúde na Laurentian University.
Ele desenvolveu o equipamento, conhecido como ovillanta (derivado da expressão em espanhol para ‘pneus para colocar ovos’), para destruir as larvas do Aedes aegypti, o mosquito bem conhecido dos brasileiros que carrega os vírus da zika, dengue, chikungunya e febre amarela.
A ovillanta oferece uma situação em que todos ganham na luta contra essas doenças, que juntas atingem milhões de pessoas por ano no mundo – principalmente em países tropicais – e provocam dezenas de milhares de mortes, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.
O aparelho acaba com a necessidade de uso de inseticidas que podem causar danos ao ambiente e efeitos colaterais em outros insetos – inclusive aqueles que se alimentam de mosquitos. Gerações seguintes de mosquitos podem adquirir resistência a inseticidas, tornando essas substâncias cada vez mais ineficazes, diz Ulibarri.
Descarte de lixo
A invenção também oferece uma solução – embora em pequena escala – para um dos problemas mais complicados de destinação de lixo no mundo: o que fazer com pneus velhos.
As armadilhas também são baratas e relativamente fáceis de fazer, e há uma oferta quase inesgotável de matéria-prima (estima-se que 1,5 bilhão de pneus sejam descartados no mundo por ano).
Ulibarri tinha desenvolvido outro tipo de armadilha para ajudar a conter um surto de febre do Nilo Ocidental que atingiu a região de Ontário em 2012, mas a solução se mostrou cara e de difícil execução em países em desenvolvimento.
“Eu comecei então a pesquisar materiais e escolhi pneus porque quase 30% dos mosquitos Aedes se reproduzem em pneus cheios de água”, explica. “Nós não planejamos daquela forma – foi uma grata surpresa.”
Testes iniciais mostram que a ovillanta é bem eficaz. Em um estudo de dez meses na Guatemala, pesquisadores descobriram que 84 ovillantas instaladas em sete bairros na cidade de Sayaxche destruíram mais de 18 mil larvas de Aedespor mês.
Isso é quase sete vezes mais do que as armadilhas convencionais. E nenhum caso novo de dengue foi registrado nas áreas naquele período – tipicamente, cerca de 40 casos seriam registrados, afirma Ulibarri.
Modus operandi
A ovillanta, que consiste em dois pedaços de meio metro de pneu e uma válvula de drenagem em forma de tubo, imita um ambiente de reprodução do Aedes. Um pneu rende três armadilhas.
A metade inferior do equipamento é preenchida com dois litros de água, com as chamadas faixas de pouso: pedaços de papel Pellon ou papel de germinação de sementes onde as fêmeas do Aedes põem ovos.
“Os mosquitos não colocam ovos em superfícies secas – eles precisam de umidade para chocar”, diz Ulibarri. “Em clima quente, você tem que adicionar água de vez em quando porque ela evapora muito rápido.”
A água no aparelho deve ser drenada duas vezes por semana em um recipiente coberto com um filtro; algo tão simples como um pedaço de pano branco funciona bem porque a cor deixa as larvas bem visíveis, afirma o criador da invenção.
Depois disso, o usuário deve destruir os ovos, despejar a água de volta naovillanta (enchendo-a com água fresca) e instalar duas novas faixas de pouso.
“É importante reciclar a água porque depois que os ovos eclodem, eles liberam um feromônio dentro da água que informa os outros mosquitos que aquele é um lugar bom e seguro para pôr ovos,” diz Ulibarri, cujo trabalho é financiado pelo projeto Grand Challenges Canada.
“Entender o inimigo é a melhor maneira de combatê-lo.”
Resultados
Geralmente, leva cerca de um mês – o ciclo de vida médio de um Aedes fêmea em clima quente – até as armadilhas começaram a impactar as populações locais do mosquito.
Duas ovillantas por acre podem diminuir significativamente a prevalência do mosquito, e quanto mais aparelhos, melhores são os resultados, afirma Ulibarri.
Até agora, os dispositivos foram testados na Guatemala e no México, e Ulibarri diz que sua equipe foi convidada para fazer mais testes no Brasil e Paraguai. E, afinal, qual é o potencial da ovillanta?
“Acho que, se usada corretamente, ele pode ter um impacto muito forte sobre diferentes doenças tais como zika, chikungunya, dengue e febre amarela. E com um atrativo diferente: nós também podemos ser capazes de combater os mosquitos Culex e Anopheles (que carregam o vírus da febre do Nilo Ocidental e o da malária, respectivamente)”, afirma Ulibarri.
“Se todos trabalharmos juntos, talvez possamos finalmente fazer alguma diferença.”

quarta-feira, 8 de junho de 2016

PENSAMENTO DO DIA


terça-feira, 7 de junho de 2016

STF garante rotulagem de qualquer teor de transgênicos


☢Ministro rejeita recurso e mantém decisão obtida pelo Idec que exige informação no rótulo sobre uso de ingredientes geneticamente modificados, independentemente da quantidade.


O direito dos consumidores brasileiros à informação sobre transgênicos volta a prevalecer. Em decisão proferida no último dia 12/05, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin manteve a decisão obtida pelo Idec e voltou a garantir a indicação no rótulo de alimentos que utilizam ingredientes geneticamente modificados, independentemente da quantidade presente.

A exigência estava suspensa desde 2012, por uma decisão liminar (provisória) do ministro Ricardo Lewandovski, do STF, que atendeu ao pedido da União e da Associação Brasileira de Indústria de Alimentos (Abia) contra a decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), que foi favorável à ação do Idec.

A União e Abia alegavam que a decisão do TRF-1 “usurpava a competência” do STF de decidir sobre o tema. Mas, ao julgar o recurso, Fachin não concordou. Em decisão monocrática (analisada apenas por um julgador), o ministro relator do processo validou a decisão do Tribunal.

Código do Consumidor x Decreto

A decisão do TRF-1 que voltou a valer acolhe o pedido do Idec de rotulagem de qualquer teor de transgênicos e afasta a aplicação do Decreto n° 4.680/03, que flexibiliza a exigência de rotulagem apenas para produtos que contêm mais de 1% de ingredientes geneticamente modificados.

O Tribunal considerou que o direito à informação previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC) se sobrepõe ao decreto.

A decisão do STF é muito importante neste momento, pois  enfraquece o PL que quer acabar com a rotulagem de transgênicos. Ela mantém a decisão fruto de uma Ação Civil Pública que garante que todos os alimentos geneticamente modificados devem ser rotulados, fortalecendo o direito à informação e o CDC”, destaca Claudia Pontes Almeida, advogada do Instituto.

A União e a Abia ainda podem entrar com novo recurso para que o tema seja analisado pelo plenário do STF. Mas, por hora, o direito à informação venceu mais uma vez.


Histórico da ação

Relembre os principais fatos envolvendo a ação do Idec para garantir a rotulagem de transgênicos:

2001: Idec entra com Ação Civil Pública contra a União para exigir informação clara no rótulo de alimentos sobre o uso de transgênicos, independentemente do teor de ingredientes geneticamente modificados presentes

2003: publicado o Decreto 4.680/03, que exige rotulagem apenas para produtos com mais de 1% de transgênicos

2007: sentença acolhe o pedido do Idec e obriga rotulagem de transgênicos, independentemente do teor. União e Abia entram com recurso

2009:  TRF-1 rejeita recurso e mantém sentença favorável aos consumidores, fruto da ACP do Idec. Abia e União recorrem ao STF.

2012: ministro do STF Ricardo Lewandovski acolhe pedido da União e Abia e concede liminar suspendendo decisão do TRF-1 até que o recurso seja julgado.

Maio de 2016: ministro Edson Fachin, do STF, julga e rejeita o recurso, validando decisão do TRF-1 que garante a rotulagem de qualquer teor de transgênicos, como pediu o Idec em 2001.👏😇👋


PENSAMENTO DO DIA


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Fato inusitado do dia!


CERCA DE VINTE MIL ABELHAS EXIGIAM A LIBERTAÇÃO DA ABELHA-RAINHA, DE ACORDO COM ESPECIALISTA

Um motorista galês passou por apuros no último fim de semana. Durante dias, ele teve o carro perseguido por cerca de 20 mil abelhas, que, soube-se no fim da história, lutavam para tentar retirar a rainha da colmeia que, acidentalmente, ficou presa no porta-malas do Mitsubishi Outlander do humano.

A agonia — a do motorista e a das abelhas desesperadas — foi registrada por diversos moradores da cidade de Pembrokeshite, no sudoeste do País de Gales, e repercutiu nas redes sociais.

Cansado de ser perseguido pelo enxame, o motorista galês resolveu apelar a quem entendia do assunto. No mesmo dia em que o estranho fenômeno aconteceu, ele dirigiu até o Pembrokeshire Beekepers, um grupo de cultivadores de abelhas da cidade, e pediu que alguém o ajudasse a resolver o impasse.Obviamente, fez todo o percurso acompanhado dos fieis insetos.

Roger Burns, um dos responsáveis pelo grupo, investigou o carro por mais de uma hora. Quando estava prestes a se dar por vencido e atribuir a perseguição a alguma maluquice ambiental, descobriu que a abelha-rainha da colmeia estava presa no porta-malas do carro do motorista galês, que não teve seu nome revelado. “Inicialmente, pensamos que as abelhas haviam sido atraídas por algum doce”, disse Burns, em entrevista ao jornal Metro.

Abelha libertada, enxame feliz e mãos com cerca de 20 ferroadas. Este foi o saldo da primeira parte desta história maluca para o especialista Roger Burns. Depois de armazenar os insetos em uma caixa de papelão, disse ao motorista que estava tudo bem e que poderia ir embora.

Mas a abelha-rainha era muito distraída ou queria mesmo fugir de seus súditos. Sem que ninguém percebesse, a líder voltou ao porta-malas que fora sua casa nos últimos dois dias e partiu com o motorista. Quando perceberam que a líder não estava mais entre elas, as dezenas de milhares de abelhas voaram ao encontro da mandatária e voltaram a ocupar o carro do motorista.

O motorista galês, ao mesmo tempo vítima e sequestrador, não deu entrevistas sobre o assunto, então é impossível saber o que ele sentiu ao ver que os insetos no seu encalço. Num primeiro momento, parece ter se conformado com a situação, porque demorou dois dias para voltar ao grupo Pembrokeshire Beekepers em busca de socorro.

Já ciente do que havia acontecido anteriormente, o especialista Roger Burns foi logo conferir o porta-malas e lá estava a abelha-rainha. Desta vez, as abelhas estavam muito irritadas, de acordo com Burns, e o resgate da rainha precisou da força do especialista, de dois colegas do grupo de cultivadores e de dois guardas florestais da região.

Depois de 48 horas de agonia, as abelhas acompanharam a saída da líder do cativeiro e, dessa vez, voaram para longe, dando a questão por encerrada. "Crio abelhas há 30 anos e nunca tinha visto um enxame fazer isso. É natural que as abelhas sigam a rainha, mas é surpreendente que tenham feito isso por dois dias", disse Burns.

Fica a dica: confira sempre seu porta-malas.
Nos mínimos detalhes e cantinhos, é claro.
😱👋

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O submundo do Facebook, do WhatsApp e do Youtube !

APPS E SITES VIVEM UM PARADOXO: OFERECEM MAIS PRIVACIDADE AOS USUÁRIOS, MAS FICAM VULNERÁVEIS AO USO POR CRIMINOSOS,QUE SE SENTEM SEGUROS PARA DELINQUIR

Por Jennifer Ann Thomas




Sendo uma atividade humana, o crime está onde o homem está — e, claro, está na internet. Sempre esteve, praticamente desde que a rede se tornou suficientemente rápida e extensa. Em abril passado, porém, uma novidade tecnológica, introduzida sem muito alarde, transformou a internet num terreno muito mais propício à criminalidade. Antes, o grosso de crimes como tráfico de armas, terrorismo e pedofilia ocorria na chamada deep web, a internet profunda, tão complexa que poucas pessoas costumam acessá-la. A internet comum, essa que as crianças e os adolescentes usam todo dia, era lugar de alguma criminalidade, como tráfico de drogas e roubo de carros, mas de forma velada, cifrada, discreta. 

Agora, os bandidos se sentem cada vez mais seguros para atuar na internet comum, a internet de todos nós. E, para isso, servem-se de instrumentos também mais populares, como o Facebook, o WhatsApp e, com menor intensidade, o YouTube. A grande diferença está na nova tecnologia.

Em 5 de abril, o WhatsApp, aplicativo usado por 100 milhões de brasileiros, resolveu instalar um novo mecanismo de segurança que tornou as mensagem trocadas na ferramenta praticamente invioláveis. A bandidagem logo percebeu. E está à solta como nunca. Não, isso não significa que as crianças e os adolescentes devem ser imediatamente afastados da internet e proibidos de usar o Facebook ou o WhatsApp. Significa, isto sim, que é preciso que pais, professores, familiares estejam alertas para os riscos do que pode acontecer num ambiente que, embora possa parecer higiênico, está escondendo cada vez mais sujeira.

Ao longo de seis semanas, VEJA mergulhou em aplicativos e redes sociais com o objetivo de detectar a ação dos criminosos. A reportagem encontrou casos anteriores à instalação do novo mecanismo de segurança do WhatsApp e também posteriores. O resultado é forte. VEJA localizou catorze traficantes de drogas atuantes no WhatsApp, tentando fisgá-los. Sete deles chegaram a dar início às negociações — que a reportagem, então, interrompeu, para não infringir a lei. VEJA também encontrou grupos que comercializam carros roubados, notas falsas e armas, tanto no WhatsApp quanto no Facebook. E ainda localizou vendedores ilegais de animais silvestres, cujas ofertas aparecem em diferentes ambientes digitais.

“Desde os 10 anos esse moleque rouba (…) e aconteceu isso aí (…). Numa situação dessas, mira na cara. É pra matar geral.” Essa autêntica sentença de morte, por exemplo, aparece em uma conversa estabelecida via Whats­App entre os integrantes de um grupo ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Na troca de mensagens, capturada neste ano pela Polícia Civil paulista, os marginais inicialmente lamentam a morte de um dos seus comparsas, num tiroteio, e, na sequência, recomendam assassinar os policiais que participaram da ação. Isso mostra como o aplicativo está se tornando a ferramenta predileta da bandidagem.

Sentindo-se seguros e blindados, os delinquentes nos ambientes digitais estão explorando o mesmo escudo protetor que as empresas dispensam aos seus usuários honestos. Quando a Justiça solicita, por meio de mandados, que as proprietárias dos serviços forneçam informações que possam levar à captura de traficantes de drogas e armas ou mesmo pedófilos, depara com uma posição intransigente de recusa. 

Para os gigantes da web, o fundamental é resguardar a privacidade do cliente. Pouco importa se esse “cliente” é um criminoso. Defende o americano Mark Khan, advogado-geral do WhatsApp: “Priorizamos nossos usuários. Por isso, adotamos sistemas cada vez mais avançados de proteção de dados”.
Com reportagem de Talissa Monteiro